05 agosto 2009

Abusa-me

abusa-me este desejo
que se marca e se apresenta
desenhado em meu corpo
mas, como uma obsessão pétrea,
prende-me frente ao verso do espelho

a sabedoria de lidar comigo
tão esmiuçada e explicada
(meus pares sabem muito!)
surpreende este interregno que sou
- não sou isso nem mesmo aquilo.

que saber-(me)se é este?
que, em verdade, falha 
esquecendo do corpo e do sangue - do concreto
- só existe frente aos teus olhos infantis
digo, num desdém às impressões

será que não veem o excesso de máculas?
quando elegeram, instituíram
cicatrizes e arranhões como prova?
- eles (meus objetos amorosos)  não leem meus meus olhos!
de tanto que a mim se voltaram.


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